Esse meu texto foi publicado há algum tempo no blog Diário de uma vida Saudável, mas como ainda vejo muita gente com dúvidas quanto ao consumo ou não do leite, mesmo sem ter alguma restrição alimentar, achei legal republicar ele aqui também.

Sigo a dieta com restrição alimentar porque tenho intolerância alta à lactose, hipersensibilidade a glúten e sensibilidade à soja. Não foi escolha, foi obrigação mesmo. Hoje, muita gente segue dietas restritivas por opção e esse nem sempre é o melhor caminho da saúde porque, a partir do momento que você corta algo da sua alimentação, a reação do seu organismo, ao tentar reinserir a substância, é rejeitar esse alimento e aí, quem não tinha restrição alimentar, pode passar a ter.
O leite não é o melhor amigo do homem, não é o alimento que mais contém cálcio e o organismo humano não digere completamente esse alimento. Algumas pessoas nascem com intolerância, outras desenvolvem ao longo dos anos. O que acontece é que nosso organismo vai perdendo a capacidade de produzir a lactase – enzima responsável por digerir a lactose, o açúcar do leite. Então, ninguém está a salvo.
Se você não é intolerante, mas deseja cortar o leite, o melhor a fazer é procurar um nutricionista e tomar essa decisão em conjunto com ele, alinhando os objetivos com a nova dieta.
Os derivados do leite têm sim os seus benefícios e fazem parte de uma alimentação balanceada, ser radical e cortar por conta porque está na moda e a fulana faz, não é uma boa escolha. Nós temos uma individualidade muito grande no funcionamento e necessidade do organismo, por isso, ter um profissional que possa te dar um respaldo é fundamental.
Até adequar minha alimentação, eu passei por uma saga longa e com muitos exames. Muitos mesmo, mas quatro meses após cortar o leite, eu vi melhoras significativas no funcionamento do meu organismo e no meu peso. Nesse período eu emagreci 4 quilos, perdi 3 centímetros de cintura e 6 centímetros da bordinha de catupiry, sabe? Aquela gordurinha que pula pelo cós da calça.
Claro, isso aliando a dieta aos treinos de musculação e bike, que eu só retornei junto com a descoberta da intolerância. Não sou a neurótica da balança, não me peso com frequência – aliás, só me peso quando faço meus retornos à nutricionista e ando bem satisfeita com os números que aparecem por lá.
E não foi só isso. O intestino passou a funcionar tipo reloginho (eu sofria com intestino preso), não fiquei mais doente – com frequência eu tinha alguma “ite”, sinusite, amidalite, rinite, e não tive mais enxaqueca nem aftas que tanto me incomodavam.

Descobrindo a Intolerância a Lactose – o começo

Se eu falar que foi fácil, é mentira descarada. No começo, eu optei por leite de soja ou leite sem lactose, que na verdade é cheio da enzima lactase. Até descobrir que soja me fazia mal e que o consumo dos “sem lactose” não era a oitava maravilha do mundo moderno, levei um tempo e passei a ficar mais tempo na cozinha, preparando meus alimentos, inventando receitas ou pesquisando em livros e na internet. Hoje, cozinhar é uma paixão e faço sempre com muito prazer.
Senti falta de muitas coisas, iogurtes – consegui consumir por um tempo, pelo fato de ser fermentado, chocolates, pizza, queijos, bolos.. E parece que quando você não pode, todo mundo resolve esfregar a comida na sua cara. Meu irmão era campeão em ir lá em casa fazer bolo, petit gateau, brownie e outras coisas.
Aí, reeduquei meu cérebro a parar de dizer “não posso” e passar a dizer “não quero, obrigada!”. Cada vez que eu dizia, não posso, eu ficava com um sentimento de dó, de poxa, coitadinha, quer, mas não pode comer. E não era esse o caminho que eu queria seguir.
Passar a cozinhar me ajudou muito. A gente acaba descobrindo as maravilhas que podemos fazer sem leite, sem glúten, sem soja, algumas vezes sem ovos e sem açúcar. Como diz meu noivo, “a Aline cozinha com espirro”.
Hoje, não sinto mais falta. Tenho sim boas lembranças de algumas comidas, mas falta não sinto. Eu que comia uma barra de chocolate sozinha, hoje prefiro o chocolate amargo bem de vez em quando e acho tudo doce demais. Nosso paladar é adaptável, a gente só precisa estar aberto a receber esses novos sabores, aprender a gostar mesmo.

Prática de esportes e suplementação pra intolerantes

Praticar uma atividade física foi bem importante no processo todo. Quando mais nova eu fiz academia por 4 anos, parei 10 e retornei há um ano. Há 4 anos eu pedalo, mas estava fazendo bem esporadicamente. Voltei a pedalar com mais frequência.
Movimentar o corpo ajuda a eliminar toxinas, além de, ajudar no bom funcionamento do intestino e dar outro ânimo na vida.
Dentro do universo de esportes a suplementação foi minha principal dúvida. O que tomar? Como tomar? Quando tomar?
Depois de três meses de treino comecei a tomar Whey Isolada, e só. Depois de alguns meses troquei de nutricionista e procurei uma especializada no meu novo objetivo: esportista e funcional.
Trocamos a Whey Isolada pela Hidrolisada e passei a usar outros suplementos no pré, intra e pós treino. Sempre sob orientação.

Whey Protein para intolerantes a lactose

Trocamos a proteína porque a Hidrolisada exige menos no organismo. Ela já chega no intestino toda quebradinha e a absorção é mais fácil. A troca foi feita porque, viajei no fim do ano e não encontrei opções de comidas sem lactose. Me enchi de lactase (a enzima digestiva) e o organismo não estava mais respondendo com a mesma eficiência de antes. Ou seja, é um caso específico e por isso a importância de ter um acompanhamento profissional.

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É bom lembrar que a lactose não é a única vilã do leite. O leite que é consumido hoje não é puro nem quando sai direto da tetinha da vaca. Todas as notícias de leites adulterados, com formol e até soda cáustica, já deveriam servir de alerta suficiente pra que o consumo fosse reduzido. O que vejo muita gente fazendo é se entupir dos “sem lactose” e cheios de lactase. Nada contra a enzima, nada mesmo. Mas trocar gato por lebre todo santo dia, não é a melhor escolha.
Eu consumo os ‘sem lactose’ vez ou outra, e geralmente por curiosidade ou por vontade de comer algo. Mas, eles continuam sendo leite, com todas as coisas ruins do leite, só que, com lactase e é isso que precisamos pensar sempre que fazemos essa escolha.
Ou seja, no meu mundo ideal, o melhor seria todo mundo consumir só leite vegetal